© 2010, Glauco Campello

Morada de Fim de Semana, Petrópolis

Morada de Fim de Semana - Petrópolis / 1992

Eu poderia alinhar os seguintes motivos para a divisão do programa em três pavilhões:

1) o terreno ondulado e em aclive obrigaria, no caso de um corpo único, movimento de terra dispendioso com alteração de seu andamento natural;

2) na construção em etapas, o menor dos pavilhões estaria desde logo disponível, sem o inconveniente, a seguir, de obras dentro de casa;

3) devendo o conjunto servir ao casal, destinou-se o pavilhão principal para seu uso exclusivo e os demais para uso complementar e acomodação dos visitantes, não vindo a rotina e a privacidade dos moradores alterar-se nem com a chegada dos familiares, induzidos a fruir os pavilhões secundários com autonomia;

4) a divisão em pavilhões consentia a criação de espaços internos diferenciados, de apreensão imediata, destinados a uso mais íntimo; enquanto os espaços externos, que atenuam o isolamento entre as construções, podiam ser adotados como área de convívio.

Sobre a escolha de um sistema construtivo convencional, como telhado de 2 águas, portas e janelas tradicionais, eu diria:

1) era o sistema ao alcance das condições disponíveis, isto é, recursos limitados e utilização de mão de obra local;

2) esta opção facilitava uma relação com as casas típicas de Petrópolis e a integração das novas construções ao lugar, pela analogia com as residências de arrabalde.

Mas nada disso explicaria a construção de objetos dessemelhantes, apesar de sua afinidade, nem sua dispersão no terreno. Nem os vazios como os de celeiros ou de pequenas igrejas, limitados por singelos arcabouços. Nem poderia justificar as variações introduzidas pelas circunstâncias que intervieram na sua configuração final. E muito menos a força subjacente das camadas de lembranças.

Toda obra tem um curso imprevisível e todo projeto exprime desejos insupeitados.