© 2010, Glauco Campello

Biblioteca Pública - pavilhão, Rio de Janeiro

Biblioteca Pública do Estado (pavilhão) - Rio de Janeiro / 2009

            A possibilidade de integração entre a Biblioteca Pública do Estado e o Campo de Santana, vislumbrado das sacadas de sua fachada, é uma dessas idéias irresistíveis a que não se pode fugir. O problema é como realizá-la.

            Uma passagem elevada sobre a rua entre a Biblioteca e o Parque deve ser descartada por razão de segurança. Muito melhor é criar um posto avançado, um pavilhão sobre a relva do jardim, dispondo de terminais de informática ligados em rede com o sistema central da Biblioteca. Assim, ela vai ao Parque e se oferece aos seus usuários num ambiente atraente e acolhedor.

            No pavilhão o usuário do Parque entra em contato virtual com o acervo da Biblioteca e pode ainda dispor de livros e revistas para ler, comodamente, nos bancos à sombra das árvores, “atirando amendoins às cotias”, como gostava de dizer Darcy Ribeiro.

            Mas, em respeito ao tombamento do Parque, esse pavilhão não pode ser uma construção ali simplesmente plantada, como peça acrescida ao bem cultural e histórico. Ele deve ser concebido como elemento transitório, leve, transparente e fluido. Cuidadosamente disposto entre as árvores. Um objeto formado de peças autônomas, em condições de serem facilmente retiradas e transferidas de lugar. E não deve ser cimentado no terreno como coisa permanente, estável, mas simplesmente pousado como algo removível.

            Resposta: uma armação metálica, com piso de placas perfuradas, suficientemente elevado do chão para que o gramado sob ele receba ar e luz. Fechamentos em painéis de vidro, metal e venezianas. Cobertura de chapas corrugadas, recoberta por camada vegetal para a proteção contra o calor. O contato com o solo reduzido a oito pontos, correspondentes a seus esteios de aço.

            Os perfis metálicos e grelhas em ferro fundido proviriam do desmonte das galerias do antigo Arquivo Público, onde a Casa da Moeda se apresta a criar um Centro Cultural e se dispõe a doar esse material, já que o mesmo é inadequado ao escopo de seu programa.

            É quase evidente o alcance desse projeto.Tanto para a valorização das atividades urbanas do Parque, em benefício de seus usuários, quanto para a universalização dos serviços da Biblioteca.