© 2010, Glauco Campello

Sede do IPHAN, Brasília

Sede do IPHAN - Brasília / 1998

            “Uma sede para o Iphan, em Brasília. A primeira imagem que me ocorreu foi a de um claustro. Um bloco quadrangular de alvenaria e um pátio central, ajardinado. As varandas do claustro são os corredores que dão acesso aos locais de trabalho, nos três pavimentos. Salas e gabinetes estão voltados para o exterior, como as celas de um convento, embora se trate aqui de espaços corridos, sem divisões. Eles são iluminados pelas janelas retangulares, de ritmo regular, recortadas nos muros externos desse bloco: um prisma caiado de branco, assentado no chão como as construções franciscanas do período colonial.

            Essa uniformidade de paredes caiadas e janelas iguais é interrompida pelos pórticos, que introduzem um tema arquitetônico inesperado: a concentração de rampas, escadas e marquises coloridas que assinalam os locais de acesso. A referência são os pórticos carregados de dramaticidade dos prismas escavados de Le Corbusier.

            No caso dos pórticos do corpo principal da sede do Iphan, a sua presença não interfere na serenidade do conjunto. Eles investem o prisma de solenidade e ressaltam o seu caráter de edifício público, guardando, contudo, em seu recinto a mesma tranqüilidade do resto da composição.

            A mesma serenidade e a mesma singeleza são os atributos do bloco anexo das atividades complementares: biblioteca, exposições, auditório e salas de vídeo. Sua forma é caracterizada por duas meias abóbadas, tão integradas à construção que são como a continuidade de suas paredes cegas, sem esquadrias. A luz necessária aos ambientes é filtrada pelos trechos vazados, de combogó, sob a parte mais alta de cada meia abóbada. Paredes e cobertura são também caiadas como as construções portuguesas de influência moçárabe. Mas a referência aqui são as formas compactas, brancas e luminosas, da arquitetura de Niemeyer."